Ninguém fala de amor como uma mulher. Os homens não, certamente: com uma idade mental fixada nos 11 anos, é difícil falar de algo que nunca se experimentou. Aos homens interessam principalmente os brinquedos (seja o carro ou o novo berbequim sem fios), os hobbies (seja a música ou o futebol), e, vá lá, as quecas. Nisto tudo não há lugar para falar de amor.
O máximo que um homem consegue, quando pretende falar de amor, é choramingar e desconversar sobre cigarros, bebedeiras, e putas. Não há nisto qualquer sentimento verdadeiro (porque aquilo que se sente quando se está bêbado ou pedrado não são sentimentos - um choque, eu sei). A amargura é circunstancial e, o mais das vezes, alimentada pela saudade das quecas que não se deram. No outro lado do espectro, a alegria é invariavelmente ignorada ou confundida com tesão ou a teelvisão nova.
Já as mulheres sofrem no corpo o bom e o mau do amor, e não têm pejo em deixar fugir o que sentem. Não há ninguém tão cruel como uma mulher enganada, tão deseperado como uma mulher abandonada. Arrancam o coração e mostram-no a quem quiser ver, despudoradamente. Choram baba e ranho, em público (os homens fecham-se na casa de banho e escondem-se atrás de uma garrafa de whisky) e gritam o que lhes vai na alma.
E sabem sempre as palavras exactas, e usam-nas para pleno efeito, sem grandes problemas de consciência (um homem conhece 3 estados: "porreiro", "fodido", e "andando"). As mulheres nasceram com um dicionário Sentimentos-Português e leram-no quando era pequenas. Nós líamos capas de discos e pouco mais. Por isso não admira que um homem se confunda facilmente quando tenta balbuciar algo que não faz a mínima ideia do que seja, e uma mulher use os gumes das palavras sem falhar um golpe. Em nós ou nela própria, sem medo e sem vergonha.
E o máximo que um homem percebe sobre si e as mulheres é isto, que não consegue falar sobre isso.
girls just want to have fun
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