sempre que me vou embora sinto que me tiraste um bocado. deixo-te, do teu lado da cama a olhar para mim, e é como se ficasse algo mais para trás que a (de)forma no colchão. saio para a rua e um arrepio percorre-me a espinha, e as lágrimas teimam em não sair (mas felizmente está a chover), e tenho que entrar no primeiro café que encontro para comprar cigarros que me aqueçam e me façam bater o coração. fazes-me mal, mas acho que já te tinha dito isto.
while you were out
quando te vejo com ele pergunto-me o que nos teria acontecido se não tivéssemos saído de casa, se tivéssemos ficado a foder, a ver uma série de merda na teelvisão, e a fumar a erva de que precisas para te vires (espero que ainda precises); eu corria atrás de ti, nús, encurralava-te no chuveiro e fodíamos até os vizinhos virem bater à porta e todas as outras coisas que os amantes fazem nos livros. claro que aqui um de nós teria que acabar por sair para ir ao leite.
dos limites, ii
quando chegas de manhã gostava que dissesses "bom dia, amor". dizes metade, é uma merda.
dos limites
quando chegas de manhã apetece-me sempre dizer "bom dia, amor". digo metade, já não é mau.
days of wine and roses, ii
enquanto te rias lá dentro com toda a gente que fazia de conta que não tinha acontecido nada, eu entreguei-me a 2 garrafas de porto, espesso e escuro como sangue, na relva quente do jardim. só para que saibas que também me sei divertir sem ti.
days of wine and roses
96 latas de carlsberg
3 garrafas de jose cuervo
2 garrafas de tullamore dew
2 garrafas de beefeater
1 garrafa de bombay sapphire
4 garrafas de stolichnaya
10 caixas de montecristo n. 5
3 lamelas de ritalin
1 frasco de benzedrina
12 latas de água tónica
10 limões
1 frasco de sal fino
dry
o problema dos anti-depressivos não é pensar em ti e a líbido continuar adormecida; o problema dos anti-depressivos é pensar em ti e os sacos lacrimais continuarem adormecidos.
famous last words, iv
and i know he took you to the beach
i can tell from how you bite on your cheek
every time the sand falls from your insoles
classe média, ii
did you dress me down and liquor me up
to make me last for the minute
when the red comes over you
like it does when you're filled with love
or whatever you call it
classe média
that goes in there
and that goes in there
and that goes in there
and that goes in there
and then it's over.
our love will last forever until the day it dies
eram 2 da tarde de um dia solarengo em maio, e os cigarros acompanhavam lentamente os cafés preguiçosos. dali a 3 anos e 2 meses, alguém gravaria a banda sonora daquele dia, embora eu não o soubesse na altura (nem passados 3 anos e 2 meses, quando encolhi os ombros com um "boa merda" ao ouvi-la pelas primeiras vezes). t - 30 minutos.
a noite anterior tinha sido longa, mas estar ali contigo depois de tanto tempo (2 meses? 3?) tornava tudo o resto minúsculo, mesmo a tua cara fechada, que eu atribuí à viagem da véspera e ao ter-te arrastado contra vontade para uma discoteca, à 1 da manhã. t - 15 minutos.
"vamos para casa" e eu saltei do sofá rindo, paguei e saí a correr, puxando-te e rodeando-te a cintura com o braço e tentando não dar muito nas vistas. o sol iluminava o dia com uma luz clara e o mundo era perfeito. não falámos muito no caminho, aproveitámos para sentir o calor e o facto de estarmos juntos para o gozar, claro. t - 5 minutos.
com a porta da sala fechada, praticamente senti os meus olhos a rirem quando te dei o primeiro beijo. t - 1 minuto.
"espera...", diz, ou então deixa para logo, vamos aproveitar antes que os meus pais cheguem, "estive com outro. não quero continuar, não posso continuar. amo-o mais que a ti. desculpa-me."
t + 9627594 minutos.
...
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
(adolfo luxúria canibal)
blow and puff
os teus olhos sempre me perseguiram, a angústia de não saber o que estariam a ver. pior que isso, só pensar se seria algum dos bocadinhos do mundo que eu gostava que fossem nossos, com outro; a roubar-me, a tirar-me o mundo de debaixo dos pés.
água
de manhã ia para a janela fumar, e enquanto contava os barcos que passavam lentamente perguntava-me se também estarias a ver o rio, um pouco mais acima, se ao menos teríamos isso.
feed me with your kiss
ligo-te quando estou a chegar e corremos (eu corro, e gosto de pensar que tu também) para o local marcado, sempre debaixo da sombra do relógio, um beijo, como é que estás (não aguento mais com saudades), tiro-te o casaco enquanto o sangue te sobe à cara, e finalmente almoçamos.
seventeen
se não fôr agora, bem, há-de ser mais logo, ou amanhã, estamos aqui mesmo à mão.
mas foder sem urgência?
e de repente
abro a porta e és tu e eu faço de conta que saíste há minutos para comprar cigarros, que mala é essa?
paper bag
aos 16 anos não tínhamos nada para fazer, agora as pessoas trabalham e depois há o relógio biológico a dar horas, passados 2 dias estamos na cama e ao fim de 2 semanas estamos a viver juntos, a paciência tambem não dá para muita coisa, temos que resolver a vida.
oh what the hell
lembro-me como se fosse ontem, conheci uma mulher e quando digo conheci quero dizer falei com ela 10 minutos durante toda a noite, e quando cheguei a casa corri para o im e perguntei a uma amiga o que é que acontecia agora, o que é que eu faço, achas que convidá-la para um café não é demasiado óbvio? nunca tive que fazer isto, tenho o coração aos pulos, ah, digo que gostei de a conhecer, boa, e vamos beber café para a semana, mas depois tenho que ir beber café com ela e digo o quê, sei lá se temos alguma coisa em comum, vou fazer figura de parvo é o que é.
lembro-me como se fosse ontem, mas na verdade foi há poucas horas, no princípio da madrugada.